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O maior desastre aéreo em Portugal

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A 08 de fevereiro de 1989

 

Um Boeing 707 da companhia norte-americana Independent Air, com 144 pessoas a bordo, despenhou-se na ilha de Santa Maria, nos Açores, naquele que constitui o maior acidente aéreo ocorrido em Portugal.

 

A aeronave, oriunda de Bergamo, em Itália, e com destino à República Dominicana, nas Caraíbas, preparava-se para fazer uma escala técnica em Santa Maria quando se despenhou no Pico Alto.

 

 

 

A aeronave, oriunda de Bergamo, em Itália, e com destino à República Dominicana, nas Caraíbas, preparava-se para fazer uma escala técnica em Santa Maria quando se despenhou no Pico Alto

 

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José Humberto Chaves, então presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto (o único concelho da ilha) e, consequentemente, primeiro responsável em Santa Maria pelo Serviço Regional de Proteção Civil, lembra que quando chegou ao Pico Alto, "logo após os bombeiros" uma das coisas que mais o impressionou "foi um silêncio enorme".

 

"Não se ouvia um pássaro na zona, que tem muita vegetação. Depois, foi ver os corpos dilacerados.

Era um cenário dantesco”, afirma.

 

O ex-autarca recorda que, “numa primeira intervenção" se tentou ver se havia alguém vivo, "tendo-se depois recolhido os cadáveres, transportando-os para o hangar da SATA no aeroporto"o local disponível "com o mínimo de condições para lhes dar alguma dignidade”.

 

 

 

 

O ex-autarca lembra que “foram necessários muitos dias a identificar os corpos”.

 

 

 

 

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AS CEIFAS EM PORTUGAL

As ceifas eram executadas, conforme a dimensão das searas, por ranchos de trabalhadores, contratados para executar esse trabalho para um determinado proprietário.

No caso de searas menores os ranchos eram formados em parceria que basicamente quer dizer: trabalho para ti e tu para mim a seguir.

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 Estes ranchos podiam vir fazer a ceifa sem direito a comida – a seco – isto é, tinham que trazer de casa o almoço, a merenda e o jantar.
Mas a maior parte dos casos os ranchos que vinham fazer a ceifa, ou se organizavam para esse efeito, tinham direito a comida, bebida e alojamento, precário é certo, a fornecer por parte do proprietário, com as consequentes reduções nos custos.

Estes ranchos eram formados por homens e mulheres, rapazes e raparigas em quantidade variável conforme as necessidades e cada um deles fazia acompanhar-se dos respectivos instrumentos de trabalho, a foice, as dedeiras e o chapéu de palha.

A foice, como o próprio nome indica, destinava-se a ceifar, isto é a cortar.
As dedeiras, por norma de cabedal revestiam apenas dois dedos, aqueles que teriam mais probabilidade de virem a ser atingidos pela foice (os dois mais pequenos da mão esquerda) num qualquer momento de descuido ou de cansaço.
Cada trabalhador protegia-se do sol com chapéus de palha seguros ao queixo por fitas ou elásticos e usavam, às vezes, lenços ao pescoço. Estes lenços destinavam-se a limpar o suor que, com o avançar do dia e o trabalho, ia surgindo por todo o lado sendo mais visível principalmente na cara e no pescoço.
Os homens recebiam mais dinheiro que as mulheres e por norma executavam tarefas mais pesadas, embora por vezes também ceifassem.

É que, na ceifa é preciso ceifar, colocar em pequenos montinhos cada mão cheia que se corta, juntar depois os montinhos em montes maiores, atá-los, com o próprio centeio em molhos.

Por vezes os trabalhadores cantavam cantigas populares que acompanhavam o ritmo dos braços e que, a cada mão cheia de centeio ceifado se erguiam para a colocar na gavela, para de novo se baixarem para cortarem a próxima mão-cheia.

Regra geral era no final ou começo de cada novo par de regos que os trabalhadores se hidratavam bebendo água ou menos frequentemente vinho. Na altura da ceifa o calor aperta e, água é melhor que vinho.
Quando chegava a hora de almoço que coincidia com a altura do dia em que o calor era mais forte, almoçava-se à sombra de árvores que por norma sempre havia na zona das searas.
O almoço era servido no local de trabalho e era por norma constituído por uma terrina de sopa e um outro prato com alguma carne, peixe ou bacalhau.
Os trabalhadores, principalmente na minha infância mais recuada comiam todos do mesmo recipiente que era colocado no chão, em cima de uma toalha que por sua vez era colocada em cima de uma manta de trapos embora cada um com uma colher individual e o mesmo acontecia com o garfo. Por norma comia-se com o garfo ou a colher na mão direita e por norma na mão esquerda segurava-se e comia-se uma fatia de pão.

Terminado o almoço, a que se chamava jantar, os trabalhadores descansavam algum tempo à sombra esticando-se no chão ou em cima da palha muitas vezes com o chapéu de palha a cobrir a face que, deitado o corpo ficava virada para cima. Não demorava muito tempo este intervalo do jantar mas por norma preenchia o tempo de mais calor.

De seguida tudo voltava ao mesmo ritmo que da parte da manhã tinha sido iniciado e que só terminaria quando o sol se pusesse. A meio da tarde ainda se parava para merendar, que consistia em comer algo de natureza mais seca: Pão com carne, chouriço ou queijo. Mas nesta refeição o tempo era relativamente curto e não havia descanso.
À noite, comia-se a ceia, já em casa e os trabalhadores iam dormir para descansar e recuperar forças para o dia seguinte.

os mais jovens, muitas vezes organizavam bailaricos pois o cansaço em jovens de 17, 18 ou 20 anos, habituados a trabalhar no campo, não era problema que os incomodasse.

Depois da noite, e ainda antes do nascer do dia, comia-se uma bucha a que agora se chama o pequeno-almoço e os trabalhadores dirigiam-se de novo às searas para continuar a tarefa que nos dias anteriores tinham iniciado e que não estava concluída.

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